quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O sucesso do jegue Pretim e suas Pretinetes.



Genaro não crê  em  que  seus olhos veem.Um sorriso aberto lhe ilumina o rosto numa mistura de alegria e incredulidade.

No palco armado na praça principal, Pretim, o jegue tição, e suas pretinetes, dançam freneticamente coreografias ensaiadas.A bicharda acompanha cada passo, e ao  mesmo tempo  canta   uma música de poucas frases  num  batidão pesado e animado.

Pretim abaixa, rebola , dá voltinhas.

Genaro observa  as pretinetes. São velhas conhecidas: amigas e enamoradas do jegue conquistador.

Gatíssima, numa insinuante minissaia, se exibe, joga beijos. Seus olhos verdes enfeitiçam a platéia que grita "lindaaaa", "maravilhosaaa"!

Vacona num short colado de lamê, mexe  seu bumbum volumoso, tremelicando-o para delírio dos bichos mais afoitos.

A loba guará vestida de tigresa, rola pelo palco  num espetáculo teatral ,que faz cair o queixo da bicharada que lota o local.

 O sapo curuuru ,maestro Didão, resmunga:
- Horrível, deprimente.

Tácita ,a sapinha pintora,  abraça o marido.
- Querido é música de massa. É o que a mídia quer vender.Veja só a alegria de Pretim, isso é o que importa. A boa música não morre jamais.
- Pretim traiu a música brasileira com essas besteradas sem brilho de acordes, e sem letra nenhuma. Não me conformo com o rumo em´que está tomando a   música brasileira. Sinto uma dor  no peito, uma desilusão enorme. Nós somos reconhecidos internacionalmente pela boa música que fazemos , não por essa porcarinhada de " tatás, tuntuns, paracatás e purucuntuns."

Dançando, Genaro se aproxima do casal.

 Eufórico , diz:
- Lindo casal, vamos remexer, vamos entrar firme no batidão de Pretim.

Didão olha Genaro carrancudo.

O jegue não desiste. Puxa o amigo,e o faz entrar na multidão.

 A muito custo, Didão, conseguiu se afastar daquele espetáculo irritável.  Em local confortável ,observa Genaro no palco com Pretim.

Era certo,  Pretim, chamar seu amigo Genaro para dividir o palco com ele. Era tudo que o jegue bonitão precisou para mostrar seus dotes artísticos.  Em instantes se tornou o cantor, o dançarino!

As pretinetes deliravam. Queriam mais e mais sua atenção.

 Tácita e Didão se entreolham Num meio sorriso a pintora fala:
- Isso não vai acabar bem.

  Cedo da manhã, Didão é acordado com batidas fortes na porta.

Sonolento, abre a porta ,e encontra Genaro e Pretim em petição de miséria.

 Os dois adentram, e fecham a porta deixando Didão do lado de fora .O maestro grita, empurra a porta, e entra  mal humorado:
- Isso são modos, seus malucos.

Genaro se esparrama no sofá. Parece o dono da casa.

Pretim, envergonhado, pede desculpas ao maestro, que o  interroga:
- O que aconteceu, Pretim?
- ?
- Olhaa, o que vocês aprontaram?

Pretim olha Genaro que ronca "inocentemente".
- Maestro, com todo respeito, mas..é ..é que , queee, Genaro endoidou.Fez bestagem. Achou que era o dono do espetáculo e acabou com minha carreira de cantor.
- Como???
-   Tu sabe , maestro, que quando Genaro quer falar, ninguém segura seus falatório. Tudo tava bem até eu cantar as muscas do Gustavo Lima.
- Oxe, mas, e dai? Não estou entendendo.
- O tal Gustavo é desafeto de Genaro. O cara andou de caso com as pretinetes.Então, já viu, mexeu com as mina de Genaro, é probrema.
- Sei, mas o que Genaro fez?
- Esculhambou com as muscas que é sucesso  hoje no Brasil. A bicharada ficou uma fera. Tavam alegre, e Genaro estragou tudo. Foi uma brigaida daquelas. Resultado; nós dois foi parar no xilindró. A passarinha adevogada foi lá cedim, e tirou  nois dois de lá. Mas,  oiá, seu Didão...

Batidas fortes na porta interrompem  a fala de Pretim. Didão insinua levantar-se. A porta de sua casa é aberta bruscamente.

Boquaiaberto, o maestro dá de cara com um tourão bem aprumado,vestido de branco. O touro se apresenta:
-  Sou o babalorixá Tourão de Ogum, vim acertar umas contas com um jegue metido a besta que emprenhou minha filha, Vacona. 

Genaro  acorda com  tamanha  barulhada. Arregala os olhos ao ver o brutamonte - tourão á sua frente.  Finge-se-se indisposto, quase morto. Teatraliza uma dor intensa no estômago.  Corre para o banheiro a regurgitar insintentemente. 


Didão e Pretim, sorriem amarelo.

Pretim cochicha ao ouvido do maestro.

- Acho que Genaro não emprenhou Vacona, coisa nenhuma ,foi o tal do Gustavo Lima. Nosso amigo tá  é lascado!

No passeio da casa de  Didão, Miguelita, a sapa   soprano, acolhe Genaro. 

Tranquilamente, os  dois  entram num camaro amarelo.




sábado, 25 de agosto de 2012

Sublimação




Conta-se que quando o amor acontece não manda avisos. Tudo é inesperado. E o gostoso é isso; o inesperado.

 Quem não sentiu um friozinho na espinha, o bater forte do coração quando encontrou aqueles olhos que diziam tanto, e exalava um cheiro de amor a nos embriagar os sentidos, e a espreitar nossos corações carentes e sedentos de carinho?

 O amor se diferencia de acordo com as pessoas que desejamos amar.  Somos seres mutáveis. Gostamos do novo, de enfrentar desafios. Com o amor não poderia ser diferente.

Dizem que amamos verdadeiramente uma vez. Penso que não seria justo. Há tanto a descobrir em outros corações!

 O amor pede que não sejamos vulgares, mas dar chance de amar outros corações, não é ser vulgar. E, certamente os corações se diferenciam em suas maneiras de amar. E é isso que nos instiga a conhecê-los.

   O amor platônico é uma maneira de amar só. É sublimar um coração que não sabe que o seu existe.

  Nosso desejo solitário exalta-se, nossa razão de viver se resulta em sermos vulneráveis a essa utópica fantasia.

 Estamos famintos pelo prazer de amar, mesmo que apenas os nossos olhos sejam capazes de enxergar esse amor, e apenas os nossos braços sintam o calor do abraço de quem desejamos abraçar.

   Na minha adolescência, tive um amor platônico. Foi lindo e só meu. Por um tempo alimentei esse sentimento doce, egoísta até, mas de um valor imenso para mim.

  Mais uma vez nossos olhos se encontravam. Isso me deixava arrepiada, não sabia o que fazer. Seus olhos me seguiam, insistiam.

Perdi o chão, flutuei.

Meu coração-menino me fez sair dali o mais depressa possível.

O meu amor me sufocava a alma, e afligia meu corpo que tremia e sozinho dançava numa louca demonstração de alegria.

Dançando ainda, dividi minha felicidade com meu diário repleto de frases apaixonadas. Frases que meu amor platônico nunca leria.

A presença do meu amor platônico e a solidão que ele me propiciou, era o meu desejo naquele momento. Compactuá-lo, quebraria o encanto.

  Aquele moço lindo de olhos tentadores me fazia levitar. A menor investida de aproximação dele era motivo de desespero.

 Fugia do amor que poderia se tornar real. E, eu não estava preparada para esse amor real naquele momento.

    O dia estava triste, chovia e fazia frio. Não quis comer, muito menos sair da cama. Meus dedos tocaram as frases que escrevi para ele. Ouvi sua voz.  Senti-o pertinho, pude  até tocá-lo...

A imaginação, companheira dos enamorados, viaja,  aporta no tempo do agora e transforma esse amor platônico e sublime num amor saudade!



  

domingo, 19 de agosto de 2012

O encontro de Genaro com Formiguete e a Lagartixa Sardenta.













Genaro arriou as patas. Nunca vi tanto cansaço. Meu amigo estava, deveras, maltratado. Aconcheguei-o na cama , e o aqueci com cobertores. O jegue tiritava de frio. Coloquei a mão em sua testa, e  a senti febril. . Olhei pela janela e vi o  céu cinzento que  anunciava mais uma noite gelada. Temi pela saúde de meu amigo jeguista.
Com uma golada generosa de água, Genaro engoliu o comprimido antitérmico.Com olhar sonolento balbuciou algumas palavras de agradecimento, e adormeceu em seguida.
Saio em silêncio.
As  viagens constantes, e  as mudanças bruscas climáticas, venceram  nosso herói sertanejo . Nunca vi em minha vida um  animal mais teimoso!O danado quer consertar o mundo e resolver problemas que não dependem  apenas da vontade de uma minoria. Sua estada na China , em busca de solução para  a não exportação  dos jegues nordestinos  lhe custou a vida. Quase que o jegue foi para o beleléu. Por pouco não  virou jegue assado na  mesas dos orientais. Sorte sua em estar em companhia de Log o dragão chinês , símbolo  mitológico milenar,e  respeitado pelo povim de zoim miudim.
Batidas delicadas e insistentes à porta  me fazem voltar à realidade. Abro-a , e um redemoinho de vozes baixas  me rodeiam.
Consigo  sem ver absolutamente ninguém, retrucar:
- Ohhh, assombraçãooo!!! Quer  se divertir ás minhas custas? Dane-se, peste.
E fecho a porta abruptamente.
Gemidos  me intrigam. Acreditem: uma forrmiga e uma largartixa tentam de todo jeito sair debaixo de minha pantufa com cara de urso.
Num portunhol engraçado, a formiga se pronuncia.
- Buenas noche . Soy  La Formiguete Xaolin , aprendiz de Kung Fu, e amiga de Genarito. Conheci mi amigo em China. Soy nascida em Argentina. Soy apreciadora de  Brasil , e apaisonada pero Anderson Silva.
Viro-me, e deparo-me com uma lagartixa furiosa.
Recuperando-se, estende-me a mão, e se apresenta.
- Desculpe o mau jeito deste inseto intrometido. Sou Sardenta, a lagartixa brasileiríssima ,que mora na China há muitos anos.  Estou a seu dispor. Amiga de Genaro é minha amiga também.
 As duas tremelicam de tanto frio.Levo-as  para a cozinha  e preparo-lhes um chocolate quente.
O liquído quente parece aquecê-las. Não satisfeita, porém, cubro-as com uma manta,  e as  abrigo  em uma das almofadas que enfeitam o sofá da minha  sala de TV.
Sardenta, então, relata-me as peripécias de Genaro em terras orientais:
- Genaro foi um sucesso na China. Além de seus encontros com autoridades sobre a situação dos  jegues nordestinos ,o sabidão e destemido animal fez palestras, e mostrou suas habilidades nas artes marciais, exibindo-se em e special na capoeira, o que deixou os chineses extasiados!
Eu, como mestra em Kung Fu, e treinadora de  Formiguete Xaolin, fiquei  fã do jegue. Fui até ele pedir autógrafo.  Imediatamente, solicito e educado,  o bonitão me atendeu . E,  gostou tanto de encontrar uma brasileirinha, e mestra em Kunk Fu com sua  discípula , que não contou conversa; levou-nos em sua companhia .
 Tudo corria bem até  Genaro se salientar e  jogar infindáveis beijos para as  moçoilas dos chefes da máfia chinesa.O negócio ficou , roxo!!! Vi Genaro mortinho da silva. A sorte do infeliz  foi sua amizade com Log. O dragão lançou chamas incandescentes nas fuças dos homes mafiosos, e sumiu com Genaro que todo estropiado se escafedeu, e nunca mais nos deu notícia. Nem nas Olimpíadas de Londres o bicho apareceu?
Com voz embargada Genaro dá sinal que acordara .
Formiguete dá um pulo e corre até ao seu amigo. Faz-lhe cócegas, brinca, canta um tango em seu ouvido.
Sardenta se aprochega e dá-lhe uma lambida amiga.
Observo-os pensativa:Sei que a estada de Genaro é breve. O jegue me segredara que logo pela manhã voltaria a ativa. Sabe-se que  seu ser inquieto precisa estar em constante luta pelo bem - estar do Planeta Terra ,e de todos que dele necessitam.
O dia amanhece frio, embora ensolarado. Estiquei- me na cama . Uma batida leve me faz levantar. Genaro,despede-se com um abraço amoroso.
Do portão olho meu amigo ir embora levando em seu  lombo uma largatixa sardenta e uma formiga argentina.

domingo, 15 de julho de 2012

Coração bonfinense

Não consegui aportar nas Gerais. Minha cabeça ainda está na minha  Bahia de todos os santos e de tantos bem quereres!Fui abduzida pelo carinho da minha terrinha, e dos meus entes queridos. Não há coisa melhor que o aconchego da família e dos amigos.
 O tempo pode até passar. Mas, quando existe amor de verdade os anos são meras consequências.
A minha Senhor do Bonfim se vestiu de bandeirolas . Abobei-me,  e me fantasiei com seus adereços juninos.
 Meu coração era de bonfinense que retorna as suas raízes feliz,e que vibra com o Caroá,o toque da sanfona, e a festa das espadas a forrar as ruas no dia vinte e três de junho.
Quanta satisfação senti ao comer amendoim cozido, bolo e canjica de milho verde, e saborear, lambendo os beiços, o famoso licor de jenipapo! 
Pode até existir outros São "Jãos" bãos demais da conta, mas a amorosidade presente em minha Senhor do Bonfim, só existe nos muros e calçadas da cidade que nasci e que me fez uma forrozeira das boas.
Agradeço a meu Senhor do Bonfim a chance de voltar ao berço em que fui ninada.  Meu coração está saudoso. Minha cidade, minha família, e meus amigos, continuarão a habitar do lado esquerdo do  meu peito.
Das montanhas  das Gerais observo atenta os ipês a bordarem a vasta vegetação da região que me adotou. Minas e Bahia se entrelaçam em meu coração que satisfeito perpetua o meu amor pelas belas regiões de meu Brasil ,tão brasileiro, mas, sobretudo: tão minerinho , tão baianinho, tão Bonfinense!  


sábado, 2 de junho de 2012

Confundi o vizinho com o maridão.

 











Eu não acredito que confundi o meu vizinho com o maridão!
"Crendeuspai," a louca desvairada se estripou de vez.
Oxe, diante de situação tão inusitada  o jeito foi sair numa  carreira daquelas, e ofegante me trancafiar  em meu  quarto.
Encostada á porta cai na risada. Chorei de tanto que ri. Fiquei até sem ar.
Vocês estão doidinhos para saber o que  aprontei, não é mesmo?
Calma, é só uma pequena pausa para me refazer do mico.
O grande problema é que adoro fazer macaquices . Ser  palhaça é meu hobby favorito.
Vivo a  aprontar. E me diverto muito com isso.
Ás vezes rio das coisas que apronto e me surpreendo também ao fazê-las.
Em algumas chego a  montar cenas rápidas com alegorias improvisadas, surpreendendo assim a minha louca vontade de fazer minha família rir dos intempéries  da vida ,e claro, contagiá-los a interagir com a  doida varrida que os ama de montão. 
 E  querem saber: essa maneira meio maluca de ser me faz um bem danado. Quebro a rotina do dia a dia , e isso  me faz acreditar que  a vida é um grande  teatro em que cada um interpreta seu papel.
Entretando, nem sempre o  papel que interpreto é apreciado pelo maridão e filhos. A humorista de plantão  muitas vezes  não atinge seu objetivo  e sai de fininho, sem se abater, com o coração cheio de esperança , pois sabe que a qualquer momento seu retorno será  triunfal e motivará  risos e  muita alegria. 
Agora meus leitores, vou deixar de trololós, e  lhes contarei o motivo que me levou a escrever esse texto.
A palhaça "brôca" que vos fala tem a mania de afastar a cortina da janela que dá para a garagem ,e achatar o nariz ,boca ,e arregalar os olhos no vidro da janela para virar uma careta estática - horrenda  para receber com muito amor o seu maridão.
O diacho é que o carro do vizinho é parecidíssimo com o do meu amado marido. E as garagens ficam uma em frente da outra.
Perceberam a confusão? Pois é, fiz careta para o vizinho.
E parece que ele gostou, pois me deixou estática um bom tempo enquanto se divertia horrores com o meu engano.
Ai...que desastre? Fazer o queê? 
Só sei que dois dias depois o maridão chegou com uma  caixa cheia de belas mexericas.
Presente do vizinho.
Acho que ele gostou de minhas caretas.

terça-feira, 29 de maio de 2012

A dieta de Mary Lu












 Mary Lu está apática. As patinhas magrelinhas mal aguentam o peso da minha outrora cabritinha, agora uma  cabrona gorda, e mãe de seis cabritinhos peraltas.

Meu avô acha que  o mal de Mary Lu é a gula. A danada da cabrita come o que pode e o que não pode. E para piorar a situação, é doidinha por doces.

 Sei que tenho uma culpa enorme nessa preferência da menina que criei. Todas as guloseimas dividia com Mary Lu. Resultado: a cabrona rouba bolos e compotas de doces que são feitas não só na roça do meu avô, mas nas casas do pessoal que mora nas redondezas.

A bichinha vive com disenteria. Seus cocôs - brigadeiros viraram uma porcarinhada. Não aguento nem olhar. Eca!

"Minha culpa, minha máxima culpa".

" Oh culpa cruel que deixa meu  coração triste, e  minha cabeça  doida de tanto pesar."

"Conto-lhes um segredo: para conquistar a amizade da cabrona que fez posse de madama quando me reencontrou depois de casada com seu bodão porcão, enchi-a de balas, chocolates e suspiros, esses seus prediletos quando menina."

 E se Mary Lu bater as botas por causa do excesso de  gorduras ? Não vou suportar! Tenho que cuidar da minha menina gordona.

Porém,  sou louquinha por doces,tortas, sorvetes,  refrigerantes e suspiros!

Não sou exemplo para a minha cabrita. Sem falar que fico muito pouco na roça. E levar Mary Lu para a cidade é impossível.

Tenho que falar seriamente com Mary Lu ,mesmo correndo o risco de levar uma chifrada do seu marido bodão.

Porém, pouco me importa se levar umas furadas do bicho fedorento e feio, o que vale é convencer a minha filhinha do mal que corre.Não quero que minha eterna menina vá dessa para pior.

 Agoniada, resolvi adentrar o ninho de amor de Mary Lu. O bodão me olhou enfurecido.

 Eu o enfrentei corajosamente: Eu corria , o bodão corria. Eu parava, o bodão parava.

 Colocava meu línguão para fora, e o danado avançava querendo me atacar com seus chifres  pontudos.

 Esperta me apossei de um pedaço de pau, e acertei em cheio a bundona do bode que saiu a bufar de raiva e dor.

Mary Lu nem se manifestou. Oh, cabrona que ficou metida. Parece uma rainha arrodeada de súditos que a serve e a idolatra.

 A infeliz nem me olhou! Indignei-me.Fechei a cara.

 Um béee manhoso e fraco se fez ouvir. Com sacrifício devido á obesidade, a cabrona se aproxima.

Passo a mão em sua cabeça, e ela logo deita em meu colo fechando os olhos.

Calmamente dou-lhe conselhos.O ronco da cabrona se ouve longe.

Já é tarde quando meu avó me encontra adormecida junto a Mary Lu.

A contra gosto volto para casa no outro dia bem cedinho.

Sei que Mary Lu ouviu um pouquinho os meus conselhos, e fará um dieta receitada pelo moço que cuida dos bichos do meu avô.

Mas, antes de entrar no carro a cabrona veio se despedir. Escondido de meu avô,dei-lhe um suspiro delicioso de despedida, afinal de contas a bichinha ia ficar muito tempo sem puder comer doces.    


    



   



 

  

domingo, 13 de maio de 2012

Minha mãe existe.
















Tudo de bonito que a mãe das minhas amigas tinha ou fazia , a minha mãe tinha, e fazia mais, e melhor.
Triste era manter a minha fantasia em  festinhas, apresentações teatrais, e qualquer outra ocasião que exigisse a presença física da mãe que eu teimava em ter.
Recitei poesias para uma mãe que só meu coração via.
 
Criei uma mãe que não existia.
Criei uma mãe que se foi  para nunca mais voltar.
Criei uma mãe que não me abraçou nem me chamou de minha menina.
Crie uma mãe que não me deu remédio nem me levou ao médico.
Criei uma mãe  que não me aplaudiu quando fui bem na escola.
Criei uma mãe que não me viu crescer e virar mulher.
Criei uma mãe invisível.

Hoje a minha mãe  invisível , existe, e é de carne e osso!
Finalmente os anos a trouxe de volta para mim e para meus irmãos.
Sinto que agora posso declamar todas as poesias que fiz para ela. Dessa vez ela vai escutá-las.
Vejo que nada é capaz de apagar do coração o amor de filha para com a sua mãe.
Não tenho ressentimentos,e nem mágoas pelos motivos que nos separaram.  Não quero perder tempo com sentimentos que ruminam sofrimentos, e  que só atrapalham o meu resgate ao seio materno.
Quero deixar  meu coração livre do passado e  desejo saborear  amorosamentede  o tempo que Deus me concedeu aqui na Terra com a minha mãe.

Nada nem ninguém irá nos separar, viu mainha?

Eu amo você.

Abraços de sua eterna  menina,

Sandra.