sábado, 30 de outubro de 2010

Monteiro Lobato-"Caçadas de Pedrinho".


Meninas queridas, não acredito na notícia que leio no jornal. É muita doideira. Não dá para entender.
Pronto, danei-me. Vou falar , rasgar o verbo.

O livro de Monteiro Lobato, "Caçadas de Pedrinho" vetado pelo Conselho Nacional de Educação (CNE)?

O parecer foi dado porque o Conselho acha o livro racista.

Só agora o CNE leu a obra de Lobato? E só agora percebeu racismo em uma delas?

Esse livro foi lançado em 1933 e conta as aventuras da turma do Sítio em busca de uma onça-pintada.

Inocente historinha que encantou e encanta crianças e adultos.

Tenha santa paciência. Onde o CNE enxergou racismo para impedir que as crianças da rede pública não leiam uma das maiores obras de Lobato?

Nosso grande escritor deve estar se remoendo de raiva. Se bobear São Pedro lhe dará uma chance de voltar á Terra para se defender de tão injusta acusação.

Leiam trechos do livro em que o nobre Conselho acha-o racista:

"Tia Nastácia , esquecida dos seus numerosos reumatismo, trepou, que nem uma macaca de carvão".
" Não é a toa que macacos parecem com homens.Só dizem bobagem".

Meninas tirem suas conclusões.



Observação: Como diz Fátima Oliveeira, o bom de escrever é o debate, é o polemizar.Com esse meu texto recebi comentários que preencheu e valorizou o pensamento individual de cada um. Agradeço e espero recebê-los mais vezes em meus posts. Para finalizar: Tudo na vida é uma grande aprendizagem.





quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Cirurgia Vascular


Estava euzinha de volta ao bloco cirúrgico.

Quem diria que aquela menina com medo de injeção , e que se escondia debaixo da cama no dia de ir ao dentista ,enfrentasse mais uma vez um bloco cirúrgico com tanta tranquilidade.

Foi necessário anos para entender que na vida nós temos que vencer nossos medos. A própria vida nos ensina. Temos que ter fé em Deus e confiança nos médicos.

O que não presta em nosso corpo tem que ser retirado. Ás vezes por medo, desleixo, falta de informação deixamos coisas simples virarem problemas graves

Por isso, tchau para nossos lixos internos que danificam nossos órgãos e provocam dores e sofrimentos.

O que mais atrapalha na luta contra nossos medos são os traumas. Vencê-los é uma batalha que depende de nós.

Meninas, queridas, foi uma luta intensa, para mim, esnobá-los.

Se anos atrás, fosse necessário fazer uma intervenção cirúrgica morreria antes.

O pavor era tanto que os homens de jalecos brancos eram meu caminho certo para o túmulo

Tinha mesmo medo de morrer, a pobrezinha que vos fala.

Fui uma criança que dava escândalos caso algum médico ousasse me examinar.

Bicho do mato perdia para a onçinha do sertão.

Se fosse minha filha dava-lhe uns corretivos ,onde já se viu fazer tamanha arruaça !
Daria um trato nessa onçinha . Oxe, viraria num piscar de ollos uma gatinha mansinha.
A danadinha na mesma hora aceitaria qualquer injeção, dentista que lhe aparecesse na frente.

Manhosa, cheia das vontades.

Dei trabalho. Fingia ser domada para logo mostrar as garras. Só o tempo fez minha ferinha se acalmar.

Hoje estou tranquila, pareço lesadinha de tudo - antes, porém, e dependendo da ocasião, situação vivenciada, preparo-me. Sou ansiosa que dá dó.O coração em certos momentos bate desenfreado, que se bobeio sai inteirinho pela boca.O controle da baiana tem que ser redobrado.

Mas, graças a Deus, minha mais nova intervenção cirúrgica- dessa vez retirei veias indesejáveis nas pernas- correu em paz.

Não vi nada. Dormi gostosamente e até sonhei.

Ao abrir os olhos tudo tinha passado.

Oh alívio. Bom demais.

O inconveniente é que virei múmia. Enfaixaram-me as pernas.

Daqui a uns dias os roxos, ardencias incômodas desaparecerão e estarei de pernas novas e saudáveis.

Penso, quem sabe , duvido muito, em fazer um tratamento para suavizar o efeito casca de laranja que o tempo, hábitos alimentares, sedentarismo deixaram nas minhas recém operadas perninhas.

Antes de toda essa tentação estética há a atenção para as doenças vasculares. Meninas lindas, façam visitas ao Angiologista,eles sim ,tratarão e deixarão suas pernas maravilhosas!

Um cheiro.


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Loucas varridas.

Não sei se surtei de vez ou se estou a caminho. Fico questionando-me a esse respeito. Minhas atitudes, ultimamente, são de doida varrida - nem tanto, há certo exagero nessa conversa toda.Observem!

O problema é que tomei gosto pela coisa. Pode rir. Doidice, pega, viu? Cuidem-se, pois, motivos incansáveis nos angustiam a mente, e com isso pira o “cabeção” nos levando a uma insanidade leve, proveitosa, e porque não dizer, saudável.

Calma, minha piração ainda não atingiu o ápice. Ainda não usei camisa de força nem recebi convite para ir a nehuma clínica psiquiátrica.

Não vou só, falta-me companhia. Gostaria muito que vocês se animassem. Já pensou quantas loucuras poderíamos fazer juntas?

Brincadeirinha, viu?

Assustei-lhes, não é mesmo?

Calma, relaxem. Não precisam aceitar ainda o convite.

Pensem, esperem o momento certo.Cada um sabe de suas necessidades, não é mesmo?

Agora, confesso-lhes: Não me considero loucona. Sou uma desmiolada suave, talvez.

Meu sintoma de loucura é aceitável. A minha necessidade de falar equivoca-se com a solidão total das palavras. Ou , na verdade essa solidão seja a falta de retorno das palavras. Daí, vem meu monólogo incansável.

Sou meu divã, entendem?

Viajeiiii,não é mesmo?

Escrever leva a isso.

Que papo maluco!

Chegaaaa, acabo lhes alugando com meus delírios.

Vou ficar quietinha, prometo. Embora não consiga me livrar dos meus incansáveis diálogos com meus botões, paredes...!

Então, relaxou ? Pensou no meu convite? Tenho certeza que sim.

Venham logo, estou de malas prontas para viajarmos. Não iremos a clínica nenhuma, isso lhes garanto.

Juntem-se a minha loucura, lhes fará um bem retado.

Minhas lindas,seremos apenas loucas varridas pela vida...., nada mais!

sábado, 16 de outubro de 2010

Wilson Simonal


Senti mal-estar ao assistir ao documentário sobre Wilson Simonal. Fiquei, deveras, arrasada.

Tudo foi muito cruel. Mostra-se a estúpida ascenção e decadência de um negro de sucesso jamais visto no Brasil

Seu sucesso estrondoso incomodou muita gente.Um garoto pobre, ainda por cima negro ,fez 30 mil pessoas no maracanãzinho cantar e dançar? Inadimíssivel tal proeza .

A fama na verdade o deixou deslumbrado.Achava-se acima do bem e do mal. A vaidade excessiva o empobreceu como pessoa. Era o "rei da cocada preta", delarou Nelson Mota.

Sua maneira prepotente de agir, falar, era prato cheio para narizes torcidos e retorcidos.Difícil aceitar plenamente um descente de Zumbi nos palcos e no meio televisivo.

A ditadura militar escolhera finalmente seu informante. O rei da pilantragem foi preso, e sua morte lenta se pré-anunciava

Segundo depoimento de Chico Anísio, Simonal não foi um delator. Ninguém até hoje se diz prejudicado pelo cantor.

Há o caso do seu contador.Houve excessos, é verdade. Uso de poder, mas nada que o fizesse delator de companheiros.

Esquecido, morreu de cirrose hepática.

Sua segunda esposa descreve seu orgulho ao assistir seus filhos cantar: " Ele os via atrás de pilastras.Chorava muito. Não queria atrapalhar a vida dos seus meninos. "

Simona, o inventor do patropi, morreu de desgosto, achando-se um verme, inimigo do povo brasileiro.

Uma coisa é certa, a mídia com suas armas convincentes, arruinaram a vida de um grande artista. Sua força é capaz de engradecer e matar um ídolo.

Pior de tudo é que ninguém ousou sequer saber a sua verdade. Não lhe deram chance de defesa. O condenaram simplesmente.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Papo de casal


Homem falando da mulher:
- Molenga.
- Não olha para nada e vai se batendo em tudo que encontra pela frente.
- Por isso vive com as pernas e braços roxos.
- Parece criança!
- E a dormideira depois do almoço?
- Só após o almoço? Se arranjar um jeitinho, dorme que se acaba a qualquer momento. Virou doença.
- Acho que tô com uma pontinha de inveja. Durmo mal, meu ronco me atrapalha.
- Uai, nos últimos dias anda dizendo que entrou na menopausa.
- Nossaaaaa, vai ficar pior que é.
- Haja paciência.
- Não casem.Conselho de amigo.
- To perplexo!De uns tempos pra cá ficou respondona.
- Ah...e os cremes?Nunca tinha usado, agora são três, fora sabonetes especiais pra isso e aquilo.
- Outra coisa, cismou que perder os benditos quilos tá difícil. E a culpa meus amigos, é minha!
- Diz que induzo-a a engordar.
- Na verdade faço suas vontades. Sei que gosta de uns sequilhinhos, broa de fubá, queijos. Eu compro e ela não resiste.
- Não faço isso para que fique gorda. E tem mais, ela não está gorda. Ela pergunta e eu digo que seu corpo está ótimo. Meu Deus, ela não acreditaaaa!
- Venceu-me, digo que está um pouco cheinha.
- Fecha a cara.Nem me olha mais.
- Minha Nossinhora onde fui amarrar minha égua.

Respostas da mulher:
- Pra começar é a molenga, dorminhoca e estabanada que faz as coisas em casa.
- E se eu to na menopausa tu tá na andropausa. Estamos quites amorzinho.
- Outra coisa que tá acabando com os meus nervos. Para de observar se os talheres, pratos, e roupas foram ou não bem lavados. Mal lhe pergunte: por que vossa pessoa não vai fazer, São deveres rotineiros, deliciosos. Fico tão inspirada em executá-los, principalmente com fiscal de plantãoooo.
- Casar? Tá arrependido? Problema seu. Agora é tarde, não pode devolver. Aguente.
- E os cremes ?Uso , e vou usar mais. Não quero ficar igual "tu". Tuas marcas de expressão tão é salientes. Olhe-se no espelho e verá a realidade nua e crua.
- Oxiiii, tenho raiva não. Agora sei me defender. Já era aquela bestinha de anos atrás.
- Ei, psiuzinho..., vem cá. Hummmm,ande me faça um denguinho. Aiiiii, tô com uma vontade de rolar no chão. Affe, sou uma despudorada (risos).
- Olhe,tu amarrou tua égua no lugar certinho, viu?

sábado, 9 de outubro de 2010

Geni, a musa de Chico Buarque.

Entrei em desespero.A tranca da porta da cabine de experimentar roupas não funcionava. A peçonhenta resolveu travar, emperrar.Aquela situação estava começando a me deixar louquinhaaaa .

Gente, do céu, não gosto de ficar trancada, ainda mais num cubículo daqueles! Ai, meu Paizinho que está no céu, na terra ,em todos os lugares ,acudaaaaaaa vossa filha tão devotada

Agoniada, berrei pela dona da loja. Com voz macia ela tenta me acalmar. Ensina-me a movimentar a tal tranca que não destrancava de "jeito maneira".

Pior foi no carnaval em Salvador. Eu e Gal, minha prima querida que está com os anjos,trancadíssimas no banheiro feminino de um boteco.

Lá fora os trios passavam, o povão cantava e as duas tontas gritavam apavoradas.

É óbvio que ninguém nos ouvia.

O suor pingava. Um riso nervoso tomou conta de nós.

Ficamos rouca de tanto gritar por socorro.

Desistimos. Encolhidas, choramingávamos. Num passe de mágica surge aquele mulherão levando porta e o que mais tivesse á sua frente.

Nossa heroína veio nos salvar.

Rimos, demos gargalhadas.

Santa loura oxigenada. Ou seria louro?

Uma voz afeminada nos consola: "Amigas, sou Geni, a poderosa, a musa de Chico Buarque. Venham queridas, vocês estão uns cacos."

Voltando a cabine da loja... Para meu alívio tudo se resolveu rapidamente. A minha salvadora Geni não estaria dessa vez de prontidão para me salvar(risos).