sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O réveillon de Genaro


O babalorixá Tourão de Oxum agarra Genaro pelo pescoço e o atiça longe.

O jegue cai atordoado. Os olhos ainda semicerrados não creem no que lhe aconteceu.

Perdera as estribeiras. Não é possivel tanto descontrole, reconhece .

Mas, o que o nosso jegue bonitão aprontara desta vez para tamanha violência ?

Os fogos bordavam o céu de Copacabana . O jegue conquistador ficara cheio dos encantos pelo traseiro da vacona que se banhava nas águas do mar com seu vestido banco colado ao corpo rechonchudo e atraente.

Genaro não pensou duas vezes. Lascou-lhe um beijo arrebatador!

A vacona boazuda revirou os olhos, deixou-se levar por aquele beijo que lhe sufocou e lhe deu um prazer indescritível.

Genaro sabe deixar uma mulher tonta de desejo.

Suas investidas tornam-se mais ousadas.

A vacona corresponde safadamente.

Ao longe o pai da vacona , e grande babalorixá, Tourão de Oxum, observava a cena. Seus olhos faiscavam. O bicho de temperamento explosivo bufou de raiva. A sua menina dengosa, inocente, estava nos braços de um jegue qualquer?

Não contou estórias, foi tomar satisfação com o atrevido.

Genaro, levanta . O tourão o encara furioso.

O jegue enfrenta seu agressor com altivez. Vacona tenta acalmar os ânimos do pai falando docemente.

- Paizinho já estamos em 2012,vamos festejar. - pisca o olho pra Genaro e completa- E esse jeguinho ai, ora bolas, foi apenas uma pequena diversão para mim. Ele é taradinho, não pode ver uma donzela se banhar.

Genaro lança um olhar desafiador para a vacona que mexe o trazeiro propositavelmente.

O pai da menina a enlaça pelo braço deixando Genaro atônito.

Nunquinha nesta vida de meu Deus, o jegue bonitão fora tão humilhado !

Em meio aquele furdunço todo surge um galo cheio das alegorias. Abraça Genaro , que o afasta intrigado.

O galo se apresenta:

- Meu amigo, sou o galo Josésinho, carnavalesco da Escola de Samba das Aves Cariocas e Agregados. Sou seu fã meu rapaz.

E o galo enche nosso amigo de mais abraços.

- Olhe, vi o acontecido, e peço desculpas pelo meu amigo Tourão. Coisas de pai enciumado.
Tenho certeza que quando o meu amigo souber que você é o famoso Genaro, o jegue mais popular do Brasil vai ficar surpreso e arrependido pelo safanão que lhe deu.

Enquanto fala , Josésinho vai arrastando Genaro consigo.

Um surdo, cavaquinho e pandeiro bem tocados se faz ouvir. No centro da roda está vacona remexendo as cadeiras. Genaro fica boquiaberto com tanta formosura!

Insinuante, a vacona lhe lança olhares lânguidos. Nosso amigo entra na roda, rodopia , faz reverências tal qual um mestre- sala a saudar sua porta - bandeira.

O babalorixá Tourão cochicha com o galo Josésinho. Seu semblante muda. Um sorriso largo ilumina seu rosto antes carrancudo.

Entusiasmado lança um tapão no torço firme de Genaro e lasca-lhe um abraço .

Galo Zé acena para o amigo. Vacona aproveita para enroscar descaradamente seu corpão no de Genaro.

O Babalorixá benze com flores perfumadas o casal.

Movido pela emoção fala entusiasmado:

- Oxum, meu pai, finalmente enviaste um marido para minha filha!

Genaro leva um susto. Seus olhos saltam. Aturdido, engasga-se.

Milagrosamente chove forte em Copacabana. Em meio ao corre-corre em busca de abrigo nosso jegue conquistador se joga ao mar.

Vacona interrogativa procura-o.

Tourão abraça-a carinhosamente.

- Filhinha, Yemanjá levou seu jegue. Ele agora pertence a nossa Rainha das águas.

Respeitosamente, o babalorixá faz referência a Mãe de todas as águas:

- Erù-Iyá, Odó-Iyá.

Amanhece em Copacabana. Sujo de areia e todo estropiado surge nosso herói.

“ Ufa,escapei por pouco”- retruca enquanto descansa de barriga para cima nas areias da praia de Copacabana.

2 comentários:

Vera Fonseca disse...

olá!Querida gostei de mais de sua cronica e de seu blogue.Parabens.
gostaria que vc me fizesse uma visita.http://blog-da-vovo.blogspot.
com Um grande abraço e muitas felicidades.

Sanbahia disse...

Vera prazer recebê-la em meu blog.Um grande abraço.