terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Meu pai, meu herói!













A criançada corria desembestada pelas ruas da cidade de Senhor do Bonfim. Todos os anos no carnaval era a mesma história. As caretas- pessoas mascaradas- saiam às ruas a distribuir alegria e boas risadas. Rebolavam, faziam macaquices e corriam atrás da meninada que gritava aflita num misto de prazer e medo!

Ansiosa, a menina sai de sua casa temendo encontrar as tais caretas. Embrenha-se em meio ao bando de meninos que chateiam as mascaradas para logo saírem numa correria sem fim.

Ofegante, a menina se esconde debaixo de sua cama. Sabe que ali está segura. Nenhuma careta lhe encontraria em seu esconderijo secreto.

O suor lhe cobre o rosto. Sem dar um pio se enrosca ao chão, e rente a parede fecha os olhos aliviada.

Uma sensação de frescor lhe percorre o corpo.

Quase adormece. Um sobressalto lhe deixa em alerta. Seus pés são cutucados.

Berra alto. Mais alto. Faz um escândalo!

Mãos lhe puxam debaixo da cama.

Exaspera-se. O coração bate descompassado, quase sai pela boca.

Seu corpo gela.

A careta de nariz comprido dá gargalhada.

A menina chuta, debate-se.

O pavor lhe faz tirar a máscara da figura horrenda e desumana.

Seus olhos se arregalam!

A princípio uma raiva lhe toma o coração.

A careta a acaricia beija seus cabelos...

Baixinho lhe segreda:
- Minha menina é seu pai, tenha medo não, é tudo uma brincadeira, uma diversão.

Desapontada, ela se afasta. O fato de seu pai ser uma das caretas não lhe agrada.

Seu herói não precisava se esconder atrás de uma máscara tão feia!

Fica triste. Não corresponde aos carinhos do seu maior amigo.

Sente-se traída.

Angustiada, desabafa:

- Vooocê... não devia fazer isso comigo, você é, é...mau.

Um abraço mais forte envolve seu corpo minúsculo.

Ele a carrega ao colo, dança pela casa, a sacode.

Aos poucos é vencida pela doçura do pai.

A máscara desaparece. Ela ri alto. Abraça com força o amor de sua vida.

A casa é invadida pela criançada e pelas caretas que cantam em alto tom:

-” Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar....”

A menina rodopia feliz nos braços do seu herói.

3 comentários:

Gloria disse...

Oh coisa lindra Drão...

Fátima Oliveira disse...

Olá Sandra, ler memórias de carnaval como as tuas é sempre uma gostosura. Feliz caranaval 2012!

Sanbahia disse...

Fátima e Godoinha grata pelos comentários carinhosos. Cheiros e voltem sempre para comentar.