segunda-feira, 28 de junho de 2010

Os finalmente das festas juninas.








Os cumpadi se encontram depois das festas juninas:

-Nhô Chico os forró tava bão, né?


Nhô Chico coça as pestana, Ajeita-se no chão de terra batida. Tá numa canseira de dar dó.


- Cumpadi, to todo acabado, acho que abusei nos gole.

- Oxe, tá ficano frouxo? Tu é cunhecido como tuné de pinga.
- O tuné virou latinha de óio de cuzinha.
- Isso é mau agouro de Sinhá Morena, ela nunca gostou de tuas bebedeira.

O caboclo sorri, lembra da muié. Nunca viu nesta terrinha de meu Deus, negra mais bonita.


- Oxe, tá rindo de quê home? Parece que abestalhou-se?


O home se levanta. Abre os braços num espreguiçamento longo. Chega-se até o burrico e sobe rápido. O cumpadi se assusta.


- Troço de home, onde tu já vai cum tanta pressa?

- Cumpadi vou ver minha nega, to cum uma saudade retada daquela rapariga.

Cumpadi dá uma baforada no cigarro de paia. Olha Nhô Chico com uma certa pena. O home indaga desconfiado.


- Cumpadi teu oiá tá isquisito. Tu tá sabeno de arguma coisa?


O cumpadi desconversa.


- Nhó Chico vamo falá das muié que nóis arrumou nos forró.


O home desce do animal e encara o cumpadi furioso.


- Fala home, tá me istranhando?


Faz-se silêncio. O cumpadi engole seco .O homem se enfesa.


- Oiá que eu parto prá ignorança.

- Carma cumpadi, deixe de besterada, nóis semo amigo e cumpadi há muitos ano. Deixe de valentia!

O raivoso parece se acalmar.


- Cumpadi, sente aqui, vamo ter um dedo de prosa, home de Deus.


- Num to pra muto cunversê. Diz logo o que tu tem prá me dizê.


O cumpadi enche um copo de puro aguardente e oferece ao amigo que fica mais desconfiado.

O cumpadi se empacienta.

- Diacho de cabra teimoso, aceita a pinga , é das tua predileta.


Nhô Chico bebe tudinho de um só gole.

A gargalhada do cumpadi se faz ouvir na caatinga quieta.

Depois de convencer o cumpadi a beber um tantão de pinga, o cumpadi camarada resolve contar o que o povo do "Arraiá da Tapera" andaram dizendo.


- Cumpadi, sabe aquele Grupo Caroá da cidade de Senhor do Bonfim? Aquele que tu tava bebinho dimais pra inxergar? Pois é, tua nega tava lá se acabano de dançar.


Os zoio do Nhô Chico fica até meroio.


- Mintira, cumpadi disgraçado, minha nega ficou em casa me esperano.


O cumpadi dá uma batidinha camarada no ombro do chifrudo.


- Dessa veiz tu se inganou. A tua nega tava de caso com um dos tocador do Caroá. Acho até que fugiu cum ele para a festa de São Pedro em Salgueiro. A tua rapariga te largou. Uma hora dessas tá na cidade pernambucana dançando forró ao som de Gilberto Gil.


Nhô Chico cambaleia, passa a mão pela cabeça. Com voz embargada diz.


- Cumpadi sou corno, sou cornão. Nega safada, fia do demo, vou matá , eu juro.


O home cai, o cumpadi lhe acode.


Lá pras bandas de Pernambuco uma negra sorri satisfeita.

Finalmente dera o troco ao infiel e desavergonhado com quem se amazinhou.

2 comentários:

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

San,

Amo esse linguajar no nosso nordeste.

Beijo imenso, menina linda.

Rebeca

-

Charles disse...

Sandrão minha mana querida,embora um pouco distante você não esquece da importância cultural do nosso Nordeste,essa épora do ano é arretada de boa igual a sua estorinha,um grande abraço em seu coração e laembranças a todos.

Charles,Simone e Davi