sábado, 12 de fevereiro de 2011

O Burrico monge e sua albinês.


Lá ia o burrico ligeiro a correr feito doido, a abandonar ás lágrimas sua burriquinha enamorada.

Nunca se viu no sertão burrico tão especiá. Falam aos quatro cantos que apesar de apaixonado renunciou os prazeres do amor para se embrenhar de vez na mata fechada, seca e esturricada , para se encontrar com seu ser espirituá.

Burriquinha Amélia da Cruz não consegue aceitar a decisão do seu amado.

Burrico Zé das Almas dos Espíritos que se Foram é fundador da Meditação Caatinguista do semiárido de São Chico . Mestre reconhecido no meio de caprinos, ovinos ,bovinos e adjacências, o que Zé fala vira lei no meio animista.

Outro fato curioso, jamais visto ou ouvido por essas bandas do sertão bravo, é o fato de Zé ser um burrico albino. Com isso, acredita-se que a sua albinês seja milagre. Sendo assim é um enviado dos céus , tendo como mediador de tal proeza de nascença as mãos abençoadas de São Chiquim e Padim Padi Ciço Romão Batista, com o aval , é claro, de Nosso Sinhô Jesus Cristo.
Com a escolha de sua vida reclusa, o Monge Sertanista partiu e estraçalhou o coração de sua burriquinha.

Amélia , burriquinha pretinha de olhos amendoados e doces se entregou a uma depressão que lhe definha o corpo e lhe dilacera a alma.

Tadinha, sem seu Zé a vida não tem sentido.

Pensa em entrar para um convento. Ou quem sabe ir para o Tibete e se entregar de vez a vida monástica. Assim ficaria mais próxima espiritualmente do amor de sua vida.

Na verdade Zé não abandonou Amélia. Ele a salvou de uma decepção maior. Sabedor de sua missão, sabiamente, foi - se afastando aos tiquim. Não queria a infelicidade da menina burrica. Tem por ela uma afeição grande, mas os prazeres carnais não lhe são permitidos, portanto de que adiantaria alimentar um amor que não se concretizaria. Sabe, ele com sua sabedoria profética que Amélia superarará e encontrará em breve destino melhor para sua vida.

Em posição de iogue, Zé medita, ora e canta mantras. Pensa que assim vai salvar o mundo , as pessoas, fauna e flora das tragédias, do desamor e da violência.

Em mensagem recebida de seu mentor Jumento da Paz Celestial, afirmou totalmente entrega as orações e pregações para afastar o mundo de tão perigosos descaminhos.

Embaixo de um umbuzeiro Amélia sorri pela primeira vez desde que Zé se foi. Sonhara com seu amado na noite anterior. Ele a encaminhou para uma missão. Será penosa, mas cheia de sabedoria. Começara então sua peregrinação. Irá para Santiago de Compostela para desobstruir seus pensamentos e limpar sua alma. Voltará renovada e escreverá um livro. Virará Amélia Silva Brasil, casará com Genaro, o jegue mais bonito, sarado e feliz das redondezas ,e ocupará uma cadeira na Academia dos Sabedores , Literatos do semiárido tendo como patrono, Zé das Almas dos Espíritos que se Foram.

Será famosa e feliz.

10 comentários:

Fátima Oliveira disse...

Gracinha, Sandra!
Vou encaminhar para republicação no Site Lima Coelho... Aguarde...
www.limacoelho.jor.br

Sanbahia disse...

Fátima, minha escritora, grata pela visita a meu blog e comentário.
Ver meu texto publicado no site de Lima Coelho é sempre um prazer.
Um cheiro procê.

Celylua - O blog das Letras disse...

Menina linda,
Eu adorei conhecer seus lindos blogs, já estou seguindo com muito carinho, rsrs.
Voltarei mais vezes...
Deus abençoe você e sua família.
Beijos no coração.
Com carinho,
Cely.

Leticia Gabian disse...

Gostei muito do seu "Vixe Mainha!".
Também vou te seguir.
Sucesso na sua escrita e em tudo mais na sua vida!
Grande beijo

Sanbahia disse...

Cely, grata pelo seu carinho. Seja bem-vinda a meu blog.
Um cheiro afetuoso.

Sanbahia disse...

Letícia gostei muito de sua visita a meu blog. Grata de coração.Volte sempre
Um cheiro bem brasileirinho.

Ana Terra disse...

Sandrinha, como disseram vários comentaristas do Site Lima Coelho, você escreveu uma fábula lindíssima!

Sanbahia disse...

Aninha, que bom ter você em meu blog. Grata pelo lindíssima, você é um amor.
Volte mais para me visitar, viu?
Um cheiro carinhoso.

Célia Rocha disse...

Concordo com a Ana Terra que disse que você escreveu uma fábula, gênero literário nos quais os animais falam e tem um fundo "moral", um ensinamento, uma lição.
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A fábula é uma narrativa figurada, na qual as personagens são geralmente animais que possuem características humanas. Pode ser escrita em prosa ou em verso e é sustentada sempre por uma lição de moral, constatada na conclusão da história.

A fábula está presente em nosso meio há muito tempo e, desde então, é utilizada com fins educacionais. Muitos provérbios populares vieram da moral contida nesta narrativa alegórica, como por exemplo: “A pressa é inimiga da perfeição” em “A lebre e a tartaruga” e “Um amigo na hora da necessidade é um amigo de verdade” em “A cigarra e as formigas”.

Portanto, sempre que redigir uma fábula lembre-se de ter um ensinamento em mente. Além disso, o diálogo deve estar presente, uma vez que trata-se de uma narrativa.

Por ser exposta também oralmente, a fábula apresenta diversas versões de uma mesma história e, por este motivo, dá-se ênfase em um princípio ou outro, dependendo da intenção do escritor ou interlocutor.

É um gênero textual muito versátil, pois permite diversas situações e maneiras de se explorar um assunto. É interessante, principalmente para as crianças, pois permite que elas sejam instruídas dentro de preceitos morais sem que percebam.

E outra motivação que o escritor pode ter ao escolher a fábula na aula, no vestibular ou em um concurso que tenha essa modalidade de escrita como opção é que é divertida de se escrever. Pode-se utilizar da ironia, da sátira, da emoção, etc. Lembrando-se sempre de escolher personagens inanimados e/ou animais e uma moral que norteará todo o enredo.

http://www.mundoeducacao.com.br/redacao/fabula.htm

Sanbahia disse...

Célia, grata pelos esclarecimentos de como se escrever bem uma fábula.
Volte sempre para visitar meu blos.Será sempre bem-vinda.
Abraços.